
Existe
DeRose
Excelentes artigos sobre diversos temas. BOA LEITURA!

Existe
Crescemos
educam
A previsibilidade e
Restringir-se de
Convido-lhe a
Mude o
Fernanda Monteforte
é ex-advogada e instrutora de SwáSthya Yôga.
de Yôga de

Era uma vez um menino cheio de idéias estranhas. Ele achava que o infinito era pequeno e que o eterno era curto. Conversava com as Árvores e com as Pedras, e emocionava-se com elas, pela magnitude do que lhe contavam. Um dia as Árvores lhe disseram:
‑ Sabe? No nosso Universo cada uma de nós cumpre o que lhe cabe, pela satisfação de fazer assim. Nenhuma de nós se exime da sua parte. Os humanos passam suas vidas a só fazer coisas que lhes resultem em tensões, infelicidade e doença. Não fazem o que realmente gostariam. Caem no cativeiro da civilização, trabalham no que não gostam para ganhar a vida e perdem-na, em vão, ao nada fazer de bom. Por isso tornam-se rabugentos, envelhecem e morrem insatisfeitos. Procure você viver feliz como nós, pois alimentamo-nos, respiramos e reproduzimo-nos, tal como nos dá prazer. Assim, quando morremos, na verdade continuamos vivas em nossas sementes e crescemos de novo. Vá e ensine isso aos que, como você, podem ouvir nossas palavras. Fará muita gente feliz, livre da escravidão da hipocrisia.
O menino ainda era pequeno para saber a extensão do que lhe propunham as Árvores, mas concordou em levar essa mensagem aos homens. Entretanto as Pedras, que até então tinham-se mantido muito quietas, começaram a falar e disseram coisas aterradoras!
Uma Pedra maior e coberta de musgo, o que lhe conferia um ar ancião e sacerdotal, tomou a frente das demais e falou fundo, ecoando dentro da sua alma:
‑ Não, você não deve cometer a imprudência de levar aos homens a mensagem das Árvores. Nós somos Pedras frias e friamente julgamos. Estamos aqui há mais tempo do que elas e temos visto o transcorrer desta pequena História Universal dos humanos.
Antes de você, muitos receberam essa mensagem e foram incumbidos, por elas, de recuperar a felicidade que os hominídeos perderam ao ignorar as leis naturais. Todos quantos tentaram ajudar a humanidade foram perseguidos, difamados e martirizados. Cada um conforme os costumes de sua época: crucificados em nome da justiça, queimados em praça pública em nome de Deus e tantos outros martírios pelos quais você mesmo já passou várias vezes e se esqueceu...
Hoje você pensa que não corre mais perigo e aceita tentar outra vez. Quanta falta de senso! Quando começar a dizer as coisas que as Árvores transmitiram, vão primeiro tentar comprá-lo. Se você não sucumbir ao tilintar dos trinta dinheiros, então será preciso que seja realmente um forte para permanecer de pé, pois passarão a agredi-lo de todas as formas.
Mas o menino respondeu prontamente. Tomou um ramo em uma das mãos e uma pedra na outra, e bradou:
‑ Este é meu cetro. E este, o meu orbe. Com o vosso reino elemental construirei nosso santuário e nele reunirei os capazes de ouvir e de compreender. As rochas manterão do lado de fora os incapazes e as toras aquecerão, do lado de dentro, os que reconhecerem o valor deste reencontro.
As Árvores e as Pedras emudeceram. Depois as Árvores o ungiram com o orvalho sacudido pela brisa, e as Pedras deixaram cair em suas mãos o musgo primevo que lhes vestia, como que a abençoá-lo.

Ao
Assuma a
Sinta-se
Fernanda Monteforte
é instrutora de SwáSthya Yôga.
Muitas pessoas procuram o SwáSthya Yôga para se desestressarem. Acreditam que com a hipotética tranqüilidade que essa prática proporciona, se livrarão dele ou pelo menos o reduzirão. Outros evitam esta nobre filosofia com receio de que sua agressividade diminua, deixando-os para trás nos desafios que a vida impõe.
Para desfazer essas confusões conceituais (que deixam stressado qualquer professor de Yôga) temos que entender primeiramente o que é o stress, como ele atua e de que forma o pranáyámá (respiração), o ásana (técnica orgânica), o yôganídra (descontração) e o dhyána (meditação) poderão contribuir para melhor administrá-lo.
Stress é um estado psico-orgânico gerado pela defasagem entre o potencial do indivíduo e o
desafio que ele vai enfrentar. Se estivermos diante de uma situação na qual, com os recursos normais que possuímos, certamente sairemos derrotados ou mortos, o corpo começa a gerar uma grande quantidade de modificações orgânicas e psíquicas para que possamos pelo menos ter alguma chance de vencer.
Por isso, o stress em si não é algo ruim, pois ele poderá salvar a nossa vida ou nos fazer vencer um robusto desafio. O prejudicial é dependermos dele para enfrentarmos nossos desafios cotidianos. Afinal, para gerar tal estado o corpo sofre um desgaste enorme e precisa de tempo para se regenerar completamente. Com isso você entende que o que faz mal é o stress rotineiro, que acontece toda hora e que não dá ao corpo a oportunidade de se recuperar, minando o sistema imunológico.
No tempo em que vivíamos nas cavernas, o stress salvou milhares de vezes a nossa vida. Imagine esse frágil animal chamado Homem (vale lembrar que somos mais lentos que um rato, não sabemos nadar quando nascemos, não enxergamos à noite, não temos presas, não nos movimentamos rapidamente e nem temos vigor físico para lutar contra a maior parte dos mamíferos) passeando alegremente pela floresta. De repente ele se depara com um tigre.
Numa situação normal, sem dúvida, perderíamos essa batalha. Qualquer apostador que visse essa cena colocaria uma fortuna na mesa jogando que o tigre mataria o homem, e tão rápido que talvez ele nem tivesse tempo de tirar todas as fichas do bolso. Mas... ao ver o perigo eminente, o
homem se estressa... descarrega uma enorme quantidade de adrenalina no sangue, seu coração bate mais rápido oxigenando sua células, suas pupilas se dilatam, aguçando sua visão, seus músculos se contraem, dando-lhe mais força e uma enorme tensão nervosa lhe possibilita pensar mais rápido para achar a melhor saída do perigo. Ele olha para frente... brigar nem pensar, olha para uma árvore... também não duraria muito. Então vê um pedaço de pau no chão, agarra-o, começa a movimentá-lo para os lados ameaçando o felino, aos poucos anda para trás para aproximar-se de um lago. Depois de alguns minutos de muito stress, o nosso herói se joga na água e se salva. Dando mais uma oportunidade para que nossa espécie se desenvolva.
Depois dessa inusitada situação o exausto primitivo talvez dormisse por uns dois dias até que seu corpo se recuperasse totalmente. Ele levaria um mês ou mais para se deparar com um desafio tão grande novamente. Até lá, já estaria reabilitado.
O problema é que hoje, enfrentamos grandes desafios todo dia. Por isto, neste lado da equação não há como atuar e a tendência é que eles até aumentem.
Desafio > Potencial = Stress
A intenção não é acabar com stress, pois situações difíceis sempre aparecerão em nossas vidas. Acho que se você está lendo este texto, na internet, não tem a intenção de se isolar no mato e viver como ermitão, e mesmo se assim fizer, vez por outra, talvez você se depare com um tigre. Portanto, para melhorar administrar o stress, precisamos reduzir a incidência dele no nosso cotidiano. Teremos que atuar na outra parte da equação.
A solução é ampliar o nosso potencial para que desafios que anteriormente ficavam abaixo da nossa capacidade e precisávamos da força extra do stress para vencê-los, agora passem a ser vistos de cima.
Potencial > Desafio = No Stress
É neste ponto que o SwáSthya Yôga pode contribuir. Através de técnicas como:
- Pranáyámás: com uma respiração mais completa e consciente vamos oxigenar nossas células e aumentar a quantidade de energia biológica. Você já deve ter notado que quando dorme pouco ou está muito cansado tudo se torna mais difícil, sua irritabilidade aumenta, pois você precisa do stress para as mais simples tarefas do dia-a-dia. Com mais energia, você vê tudo com mais facilidade e tem a certeza que pode enfrentar qualquer desafio.
- Ásanas: as técnicas orgânicas feitas com longa permanência e pouca repetição, contribuem para melhorar nossa resistência. Com isto podemos permanecer mais tempo enfrentando os desafios sem sermos vencidos pelo cansaço, que gera stress.
- Yôganídra e dhyána: A descontração consciente e a meditação possibilitam um breve, mas profundo, descanso para a nossa psique que passa o tempo todo trabalhando e praticamente não pára. Uma breve estabilizada da mente funciona como o reiniciar de um computador, depois do qual, tudo volta a funcionar normalmente.
Num mundo cada vez mais competitivo e com cada vez menos espaço para os mais frágeis, temos que buscar soluções que nos acrescentem no longo prazo. Assim como o stress, o uso de estimulantes pode nos trazer um acréscimo de disposição no curto prazo. Mas a que preço?
O ideal é que cheguemos a níveis de disposição e energia com as ferramentas que possuímos, sem perder nada, mas apenas acrescentando potencialidades à nossa personalidade.
Daniel DeNardi